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Pesquisa mostra que cerca de 50% dos pacientes acometidos por sepse morrem no Brasil

Estudo sobre infecção generalizada foi realizado em 20% das UTIs privadas e públicas, totalizando 2.634 leitos

 

RIO - Com o objetivo de identificar a prevalência e a mortalidade por sepse - conhecida como infecção generalizada ou falência múltipla dos órgãos - e choque séptico nas UTIs brasileiras, o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) e o AMBInet (braço de pesquisas científicas da AMIB - Associação de Medicina Intensiva Brasileira) desenvolveram e aplicaram uma pesquisa qualitativa que apontou que a prevalência da complicação nas unidades brasileiras é elevada (28,1%) e em torno de 50% dos acometidos morrem.

 

 

Foram criados 10 extratos, conforme região geoeconômica e tamanho das cidades. A amostragem foi realizada em 20% das UTIs de cada extrato (privada ou pública). Ao todo foram 189 UTIs – 2.643 leitos. Cada UTI registrou os números de sepse e o estudo acompanhou desde o diagnóstico até a alta hospitalar ou 60º dia de internação. Um total de 78,2% dos leitos foram da Região Centro-Sul; 18,4% região Nordeste e 6,0% da Região Amazônica. Ao todo foram 744 pacientes. Os resultados também mostraram que não houve diferença na mortalidade nas regiões Centro-Sul, Nordeste e Região Amazônica.

A sepse é um dos principais problemas de saúde do Brasil, sendo responsável por 25% da ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva. Atualmente é a principal causa de morte nas UTIs e uma das principais causas de mortalidade hospitalar tardia, superando o infarto do miocárdio e alguns tipos de câncer, como o de mama e intestino.

Alguns estudos epidemiológicos mostraram que a mortalidade brasileira por sepse é maior do que a de países economicamente semelhante, como a Índia e a Argentina.

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- Não sabemos muito bem os motivos pelos quais isso acontece, mas acreditamos que uma das razões seja devido ao pouco conhecimento da população sobre a doença, o que faz com que os pacientes com sepse sejam admitidos para tratamento em fases mais avançadas da síndrome, quando o risco de óbito é maior - explicou o médico intensivista Dr. Luciano Azevedo, membro do ILAS e coordenador da Campanha Dia Mundial da Sepse, que acontece no próximo dia 13.

O profissional alerta, ainda, que os profissionais de saúde que atendem os pacientes sépticos, seja nos prontos-socorros, enfermarias ou UTIs, também encontram dificuldades para reconhecer rapidamente a complicação.

- O diagnóstico de sepse é feito de forma atrasada, e as horas iniciais, importantíssimas para o tratamento com antibioticoterapia e reposição volêmica, são perdidas. Mas obviamente as características do sistema de saúde brasileiro também desempenham um papel, pois muitas vezes em virtude da superlotação dos hospitais, pacientes com sepse são atendidos na fase mais precoce de seu tratamento em locais onde a estrutura não é adequada para dar o suporte que eles precisam. - afirmou. - Quando esses pacientes são admitidos na UTI, as disfunções orgânicas já são preponderantes e a chance de sobrevida é bem menor.



 

 
 
  
 
 
 
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Jornal SBOT-SC
Edição: Dezembro 2018

 
  
       
 
       
                                                                                                                                              
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